Viedma

Viedma, capital da província de Río Negro, é considerada a principal porta de entrada para a Patagônia Argentina pelo litoral. Localizada às margens do Rio Negro, a cidade combina paisagens naturais de grande beleza com uma identidade cultural marcada pela herança do povo originário Mapuche. Desbravar Viedma a partir do olhar dos moradores locais revela um destino autêntico, pouco explorado pelo turismo tradicional e ideal para quem deseja conhecer uma Patagônia diferente, mais próxima da vida real e das tradições regionais. A cidade foi o oitavo destino escolhido para ser desbravado na segunda etapa do Projeto Desbravando as Américas. Estive pessoalmente em todos os atrativos turísticos descritos abaixo.

Vale ressaltar que as fotos foram tiradas através de uma camêra fotográfica Cannon, emprestada, e por um celular Iphone 4S.

Roteiro para 2 dias - O que fazer?

Dia 1:

Marcha Anual en Homenaje al Joven Atahualpa:

Durante minha passagem por Viedma, tive a oportunidade de participar, ao lado dos meus anfitriões do Couchsurfing, da Marcha Anual en Homenaje al jovem Atahualpa, uma manifestação realizada em busca de justiça após sua morte, ocorrida anos atrás em circunstâncias violentas que, segundo os participantes, nunca foram totalmente esclarecidas pelas autoridades locais. A caminhada reúne moradores, familiares e integrantes da comunidade Mapuche, que percorrem as ruas da cidade mantendo viva a memória do jovem e reforçando o pedido por respostas.

Mais do que um ato político, o que mais marcou foi o sentimento coletivo de união e respeito presente durante todo o percurso, acompanhado pelo grito entoado pelos participantes, “Atahualpa presente, ahora y siempre”. Participar desse momento permitiu enxergar um lado mais profundo de Viedma, mostrando que viajar também é compreender as histórias e as lutas que fazem parte da identidade de um lugar e das pessoas que vivem ali.

Desbravando as Américas
Marcha Anual en Homenaje al jovem Atahualpa

Plaza San Martín:

Construída após as obras de urbanização realizadas depois da grande inundação de 1889, a Plaza San Martín tornou-se um dos principais espaços de lazer e convivência de Viedma. A praça homenageia o general José de San Martín, figura central da independência argentina, e possui em seu centro uma estátua equestre que simboliza a identidade histórica e o orgulho nacional presentes na cidade.

Hoje, o local é um dos pontos mais agradáveis para caminhar sem pressa, sentar em um dos bancos e observar o ritmo tranquilo da vida cotidiana. Vale a visita justamente para sentir o clima local e perceber como a praça funciona como um verdadeiro ponto de encontro entre moradores, história e rotina urbana.

Aberto ao público 24h por dia

Acesso gratuito 🙂

Desbravando as Américas
Plaza San Martin

La Costanera: Localizada na margem direita do Rio Negro, La Costanera é uma das principais áreas de lazer de Viedma e um dos espaços mais apreciados pelos moradores locais. Arborizada e bem cuidada, a orla conta com ciclovia, pista para caminhada e amplas áreas abertas ideais para piqueniques. Segundo meus anfitriões, o local ganha ainda mais vida durante a primavera e o verão, quando famílias e amigos se reúnem para aproveitar os dias longos e o clima agradável às margens do rio.

Aberta ao público 24h por dia 

Acesso gratuito 🙂

Desbravando as Américas
La Costanera

Barco Hundido (El Cóndor): É um dos atrativos mais curiosos e simbólicos de Viedma. Em 1881, o barco dinamarquês El Cóndor, que navegava pelo Rio Negro nas proximidades da cidade, naufragou após colidir com uma pedra. A tripulação foi resgatada pelos moradores locais e hospedada na única pousada existente na época. Entre os sobreviventes estava Peter Hassen Kruuse, que acabou se apaixonando por Maria Manuela Martensen, filha do proprietário da pousada, decidindo permanecer na Argentina e não retornar ao seu país de origem.

Com o passar dos anos, a embarcação foi retirada do fundo do rio e transformada em ponto turístico, tornando-se um símbolo do amor inesperado que marcou a história local. Todos os anos, na data do naufrágio, descendentes do casal visitam o local e lançam flores nas águas do Rio Negro, em um gesto que celebra essa união. Atualmente, o Barco Hundido encontra-se grafitado por artistas locais, uma intervenção que, além de valorizar o espaço, ajuda a proteger o casco contra os efeitos da oxidação.

Aberto ao público 24h por dia

Acesso gratuito 🙂

Desbravando as Américas
Barco Hundido (El Cóndor)

Río Negro: É um dos cursos d’água mais importantes da Patagônia Argentina e atua como fronteira natural entre as províncias de Buenos Aires e Río Negro. Com cerca de 635 km de extensão, o rio nasce na província de Neuquén e segue até sua foz no Oceano Atlântico. Ao atravessar a cidade de Viedma, o Río Negro apresenta uma característica rara: é um dos poucos rios do mundo que possuem influência de maré, com períodos de maré alta e maré baixa. Esse fenômeno ocorre devido à proximidade com o oceano e pode alterar temporariamente o nível da água e até o sentido do fluxo em determinados horários, tornando a paisagem ainda mais singular.

Aberto ao público 24h por dia 

Acesso gratuito 🙂

Desbravando as Américas
Río Negro

Monumento a Evita Perón: Inaugurado em 2007, o monumento homenageia os 65 anos do falecimento de Eva Duarte de Perón, uma das figuras políticas mais emblemáticas da história argentina. Aclamada por grande parte da população, Evita tornou-se um símbolo de justiça social e dos direitos dos trabalhadores. O monumento integra o circuito cultural da cidade e convida à reflexão sobre a memória política e social do país.
Uma parada interessante para quem deseja conhecer melhor a história argentina além dos roteiros turísticos tradicionais.

Aberto ao público 24 por dia

Acesso gratuito 🙂

Desbravando as Américas
Monumento a Evita Perón

Museo Casa de Los Rial (Carmen dde Patagones): Localizado no interior de uma casa construída há quase 200 anos, em uma encosta, o Museo Casa de los Rial preserva parte importante da história inicial da região. A residência foi erguida pelo espanhol Don Juan José Rial, considerado o primeiro imigrante a se estabelecer com sua família naquele território. Em 1827, Don Juan ganhou notoriedade ao liderar a defesa do pequeno povoado de Patagones durante a invasão do Império Brasileiro.

Declarada Monumento Histórico Nacional em 2003, a antiga casa abriga hoje um museu dedicado à história dos primeiros colonos, além de oficinas de artesanato que buscam preservar e valorizar a cultura local.
A visita é uma excelente oportunidade para compreender as origens da região e conhecer de perto o legado histórico que moldou Viedma e seus arredores.

Aberto ao público de segunda a sábado das 10h às 12h e das 17h às 21h.

Entrada gratuita 🙂

OBS: Não é permitido fotografar no interior do museu!

Pasaje San Jose de Mayo (Carmen de Patagones): Inaugurada em 1859, a passagem foi criada para facilitar a circulação dos meios de transporte da época entre a parte alta da cidade e a margem do Río Negro. Com forte inclinação, a via acabou sendo interditada em 1930 após um grave acidente envolvendo uma charrete desgovernada e duas crianças, que resultou na morte de uma delas.

Em 1962, o governo local decidiu reabrir o espaço, transformando-o em uma grande escadaria e proibindo a passagem de veículos. No topo, foram instalados dois canhões provenientes do antigo Fuerte del Carmen, utilizados durante a Batalha de Carmen de Patagones, em 1827, contra a invasão do Império Brasileiro.

Hoje, o local combina história, memória e uma bela vista do entorno, sendo uma parada interessante para quem deseja desbravar a cidade além dos seus pontos turísticos óbvios. 

Aberto ao público 24h por dia

Acesso gratuito 🙂

Desbravando as Américas
Pasaje San Jose de Mayo

Iglesia Parroquial Nuestra Señora del Carmen (Carmen de Patagones): Inaugurada em 1780, como a primeira igreja católica da cidade e de toda a região hoje conhecida como Patagônia Argentina. A sua construção inicial foi idealizada por Don Francisco de Viedma e consistia em um pequeno nicho que abrigava a imagem de Nuestra Señora del Carmen, utilizado para a realização das missas dominicais.

Com o crescimento populacional, em 1880 a igreja foi transferida para a sua localização atual, passando a ocupar as antigas instalações do Fuerte del Carmen, doadas ao município. O novo templo foi inaugurado em 1885 e recebeu a imagem da santa padroeira da cidade, além de sete bandeiras brasileiras capturadas durante os combates de 1827, instaladas em posição de destaque acima do altar.

Ao longo dos anos, a igreja passou por diversas reformas, sendo uma das mais significativas a construção de um mausoléu destinado a abrigar os restos mortais do general argentino Luis Piedrabuena e de sua esposa. Em reconhecimento à sua relevância histórica, o templo foi declarado Monumento Histórico Nacional em 2003.

A visita permite compreender a origem da cidade, a sua ligação com os primeiros assentamentos e os episódios históricos que marcaram a região.

Aberta ao público de segunda a sexta das 10h às 12h e das 17h às 19h30min; sábados das 10h às 12h e domingos das 18h30min às 20h

Entrada gratuita 🙂

Desbravando as Américas
Iglesia Parroquial Nuestra Señora del Carmen

Viajante brasileiro em Viedma: Gabriel, natural do estado do Rio Grande do Sul e a sua namorada, Laura, natural da cidade de Viedma. Os dois se conheceram enquanto faziam um mochilão pela América do Sul e se apaixonaram perdidamente. 

Catedral Nuestra Señora de La Merced: Inaugurada em 1912, a Catedral Nuestra Señora de la Merced foi a primeira igreja da Patagônia Argentina administrada pela Ordem Salesiana da Igreja Católica Apostólica Romana. O templo foi projetado pelo arquiteto Don Antonio Petrarca e apresenta um marcante estilo arquitetônico renascentista italiano. Suas duas torres se destacam na paisagem urbana e podem ser avistadas inclusive da cidade vizinha de Carmen de Patagones.

A fachada chama a atenção pelos ladrilhos importados da Itália e pelas colunas de mármore de ordem coríntia, que reforçam o caráter monumental do edifício. Em 1935, a então paróquia recebeu o título de catedral com a nomeação do primeiro bispo da província de Río Negro. Posteriormente, em 2000, o templo foi declarado Patrimônio Histórico Nacional.
A visita é indispensável para quem aprecia arquitetura, história e deseja conhecer um dos símbolos religiosos mais importantes da região.

Aberta ao público diariamente das 08h às 21h;

Acesso gratuito 🙂

Desbravando as Amérucas
Catedral Nuestra Señora de La Merced

Centro Municipal de Cultura de Viedma: Inaugurado em 1969, o Centro Municipal de Cultura de Viedma nasceu para concentrar em um único espaço a cena cultural que crescia na cidade e na região. Em 1973, foi ali que aconteceu a cerimônia que declarou oficialmente Viedma como capital da Província de Río Negro, um momento marcante da história local.

Hoje, o centro cultural reúne exposições de artistas da região, atividades gratuitas abertas ao público e um teatro com programação variada, que vai de produções locais a espetáculos nacionais e internacionais a preços acessíveis.

Vale a visita para sentir como a cultura faz parte do dia a dia de Viedma, observar o movimento de quem frequenta o espaço e perceber que a cidade vai muito além dos seus marcos históricos.

Aberto ao público diariamente das 9h às 12h30min e das 16h às 19h30min.

Entrada Gratuita 🙂

Desbravando as Américas
Centro Municipal de Cultura de Viedma

Dia 2:

Playa El Cóndor:

Localizada a cerca de 30 km de Viedma, a Playa El Cóndor é considerada uma das praias mais bonitas da província de Río Negro e um dos refúgios preferidos dos moradores da região durante o verão. Com uma extensa faixa de areia e um cenário aberto para o Oceano Atlântico, o destino atrai visitantes de várias partes do país, especialmente na alta temporada, quando festivais de música e eventos ao ar livre movimentam a orla.

Fora do verão, a praia ganha um clima completamente diferente e passa a receber praticantes de kitesurf e windsurf, que encontram ali condições ideais de vento. Além disso, o local também se destaca como ponto de parada para diversas espécies de aves migratórias que chegam à região em busca de temperaturas mais amenas.

Aberta ao público 24h por dia 

Acesso gratuito 🙂

Desbravando as Américas
Playa El Cóndor

Colonia de Loros Barranqueros:

Localizada a cerca de 3 km da Vila El Cóndor, a Colonia de Loros Barranqueros abriga o maior refúgio natural dessa espécie no mundo, estendendo-se por aproximadamente 12 km ao longo das falésias de arenito do litoral. Essas aves, parentes próximas dos papagaios brasileiros, escavam os seus próprios ninhos com o bico nas paredes rochosas, formando milhares de pequenas cavidades onde colocam os ovos e cuidam dos filhotes. Estudos indicam que mais de 180 mil aves vivem na região, transformando o local em um dos cenários naturais mais impressionantes da Patagônia Argentina. No século XIX, o naturalista britânico Charles Darwin já descrevia em seu diário de viagem as aves coloridas e barulhentas que habitavam pequenas cavernas ao longo desse litoral.

Apesar da grandiosidade, a espécie enfrenta ameaças causadas pela caça e pelo comércio ilegal, o que torna a preservação do local ainda mais importante. Estar diante das falésias e ouvir o som constante das aves sobrevoando o mar é uma experiência difícil de traduzir em imagens, e é justamente essa sensação de natureza viva e intensa que transforma a visita em um dos momentos mais marcantes para quem chega até essa parte da costa patagônica.

Aberta ao púbçico 24h por dia 

Acesso gratuito 🙂

Desbravando as Américas
Colonia de Loros Barranqueros

Faro El Cóndor:

Inaugurado em 1887, o Faro El Cóndor é considerado o farol continental mais antigo ainda em funcionamento na Patagônia Argentina. A estrutura foi construída por Martín Rivadavia, com o objetivo de sinalizar a entrada do Río Negro e garantir maior segurança às embarcações que navegavam pela costa atlântica. Com formato cilíndrico e cerca de 16 metros de altura, o farol possui alcance luminoso de aproximadamente 16 milhas náuticas, tornando-se um importante marco de orientação para navegadores desde o século XIX.

Devido à sua posição elevada e aberta para o oceano, o farol pode ser avistado tanto durante o dia quanto à noite, destacando-se na paisagem costeira e reforçando a forte relação da região com o mar. Chegar até ali é perceber como a imensidão do litoral patagônico ganha outra dimensão, e a visita vale especialmente pelo contraste entre o silêncio da costa, o vento constante e a sensação de estar diante de um dos pontos mais históricos e isolados dessa parte da Argentina.

OBS: O interior do farol não é aberto a visitação pública.

Desbravando as Américas
Faro El Cóndor

Letrero de Viedma:

Inaugurado em 2012, o Letrero de Viedma é um dos pontos mais fotografados da cidade e segue o mesmo conceito dos tradicionais letreiros urbanos presentes em destinos turísticos da América do Sul, como o de Montevidéu, no Uruguai. As suas letras brancas, com cerca de dois metros de altura, destacam o nome da cidade e ganham iluminação especial ao anoitecer, além de cores diferentes durante eventos e celebrações locais.

O local acabou se tornando um ponto de encontro tanto para moradores quanto para visitantes, principalmente no fim do dia, quando a luz muda e o ambiente fica ainda mais agradável para caminhar e registrar o momento. Vale a parada para tirar a clássica foto de viagem e marcar simbolicamente a chegada a uma cidade que surpreende justamente pela tranquilidade e pelo clima acolhedor.

Aberto ao público 24h por dia 

Acesso gratuito 🙂

Desbravando as Américas
Letrero de Viedma

Monumento a la Mujer Originaria Mapuche:

O Monumento a la Mujer Originaria Mapuche é uma homenagem à importância do povo Mapuche na formação cultural e histórica da região patagônica. A escultura representa a força e a resistência das mulheres originárias, destacando o papel fundamental que tiveram na preservação das tradições, da identidade e da relação espiritual com a natureza, elementos que seguem presentes até hoje na cultura local.

Ao visitar o monumento, é possível perceber como a cidade busca reconhecer as suas raízes e valorizar a memória dos primeiros habitantes do território. A parada vale justamente para refletir sobre esse legado e entender que Viedma não é apenas marcada por episódios históricos coloniais, mas também por uma herança indígena viva que ajuda a explicar a identidade da região

Aberto ao público 24h por dia

Acesso gratuito 🙂

Desbravando as Américas
Monumento a la Mujer Originaria Mapuche

Gastronomia:

Cerveza Artesanal Giilmet: 

Pizza Casera by Mailen:

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